terça-feira, 22 de julho de 2008

Ode à espera

Talvez a espera espere a si mesma
E uma esquina qualquer, no canto da mesa
Prevendo o encontro sutil
No próximo passo, primeiro de abril
Quem guarda no bolso o metal
Carrega consigo o mal
E aguarda já sem paciência
A forçada iminência da decadência

Talvez a espera espere a si mesma
O escuro uma lâmpada acesa
O louco sua sanidade
O velho a morte, o novo a idade
O doente a cura pra sua moléstia
O soldado a próxima guerra
A aranha imóvel na sua teia
A vítima perfeita pra sua ceia

Talvez a espera espere a si mesma
Atrás do altar de uma igreja
Orando por graças que não tem graça
Movendo montanhas no meio da praça
Discurso promíscuo
No momento profícuo
Paradas de ônibus lotadas
Expediente de longas jornadas

Talvez a espera não queira esperar mais...

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