Joguei sal no mar
Adocei um pé de cana pra tomar
Decifrei todo o dicionário
Corrompi um deputado ordinário
Alucinei o ópio
Humilhei o opróbrio
Assassinei um cadáver
Joguei bombas no Iraque
Entristeci o soturno
Escureci o breu noturno
Mandei o ouvido escutar
Ensinei Bush a matar
Enobreci um minueto
Dividi em 14 partes um soneto
Deixei só a solidão
Dei fé à religião
Rejuvenesci o mancebo
Sincronizei o tempo
Violentei a guerra
Individualizei a sociedade moderna
Soletrei o alfabeto
Explorei o sem teto
Metalizei o cobre
Alienei o povo pobre
Recusei o que é negado
Inebriei o embriagado
Fiz lógica a coerência
Afligi sua ausência
Se achas isso inútil
Hoje em dia tudo é fútil
Destrua o seu ócio
E pense no que é óbvio
Ensine o padre a rezar missa
Pois sua fé mata não cria
Defina os governantes por sua política
E não os versos pela poética
A teia já engoliu a própria aranha
Não somos vítimas nem réus desta façanha
A verdade já enganou a si mesma
Nossos conceitos evoluem ao passo de uma lesma
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