terça-feira, 22 de julho de 2008

O Duvidoso Óbvio

Joguei sal no mar
Adocei um pé de cana pra tomar
Decifrei todo o dicionário
Corrompi um deputado ordinário

Alucinei o ópio
Humilhei o opróbrio
Assassinei um cadáver
Joguei bombas no Iraque

Entristeci o soturno
Escureci o breu noturno
Mandei o ouvido escutar
Ensinei Bush a matar

Enobreci um minueto
Dividi em 14 partes um soneto
Deixei só a solidão
Dei fé à religião

Rejuvenesci o mancebo
Sincronizei o tempo
Violentei a guerra
Individualizei a sociedade moderna

Soletrei o alfabeto
Explorei o sem teto
Metalizei o cobre
Alienei o povo pobre

Recusei o que é negado
Inebriei o embriagado
Fiz lógica a coerência
Afligi sua ausência

Se achas isso inútil
Hoje em dia tudo é fútil
Destrua o seu ócio
E pense no que é óbvio

Ensine o padre a rezar missa
Pois sua fé mata não cria
Defina os governantes por sua política
E não os versos pela poética

A teia já engoliu a própria aranha
Não somos vítimas nem réus desta façanha
A verdade já enganou a si mesma
Nossos conceitos evoluem ao passo de uma lesma

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