sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O Vôo da Borboleta

E pousa a linda borboleta
tão livre, tão só
nas pétalas de uma violeta
transcorrendo a liberdade
em tácitos gotejos de celestialidade

E cessam suas asas
o som, a canção
seu silêncio me abraça
e brilham meus olhos em sua elegância
coloridos como as casas de minha infância

Mas no ardor da emoção
Aproximo meu rosto
Cãndido ar de minha respiração
Invade o espaço, efêmero lar
Que sua calma criou tão particular

E volta a voar, radiante
tão livre, tão só
Dança no vento, bailante
mas meu olhos, eternamente gratos
hoje já não temem vôos imediatos

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Porta Jóias Boneca




Porta Retrato Casal


Porta Canetas Palhacinho



Relógio


Tá sem o relógio...mas ele é pra ficar ali na parte pretinha no meio do cd..

quarta-feira, 23 de julho de 2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

Porta Joias Tambor



Porta Canetas Boneca


Porta Canetas Banquinho de Palitos



O banquiho é feito de palitos de fósforo...

Paredes...


Pintei isso na parede de uma peça do apto...adoro pink floyd!

Índios


Folhas Secas


Flor


Tá meio escura né...vou tirar outra foto eu acho...

Palmeiras


Eu quero uma casa no campo..


Cósmico




É o fundo do titulo do blog...um quadro...esse ta na parede do meu apto..

Caixa Violeiro



Infelizmente não lembro de quem é a pintura...

Caixa Jazz



Bom Dia, Vida!

Esse ta pintado num papelão...faz tempo...não tinha muito recurso..hehe...

A verdade sobre o Palhaço


Sobre o tempo

E sobre o tempo
Meu amor falou baixinho
Aquele ao qual passamos juntos
Voa - não feito passarinho
Como borboleta
leve
à toa
E sobre o tempo
Meu amor falou baixinho
Aquele ao qual passamos longe
Caminha - não feito tartaruga
Como elefante
pesado
atado
E do passado
Só mesmo se comparado
Ao tempo desperdiçado
Longe do teu dedo que indicava
A direção certa, a que eu nunca duvidara
Ao tempo de aprendizado
Que os olhos se contentavam com pouco
Mas o coração não - suplicava pelo todo

E sobre o tempo
Meu amor falou baixinho
Abraça-me
beija-me
ama-me
O tempo?
Que não acabe...

E se me lembro bem...

E se me lembro bem
Nunca fizemos juras eternas de amor
Nem perguntamos qual era a razão
Pra não morder a maçã, e de estarmos juntos toda manhã

E porque o equilibrio dos meus ombros
Não deixavam cair as lágrimas dos seus olhos
E pesarem sobre o seu rosto, escorrerem pelo pescoço
Molhando a esperança no seu coração

E qual era o encanto que tinham suas asas
Que erguiam meu pesados pés do chão
No alto eu riscava o esboço, daquele moço
Que não percebendo pintava a paixão

Pela vida, pelos sonhos
Reerguendo os escombros
De um mundo de solidão
Com as cores mais coloridas
Que fechavam nossas feridas
Deite em meu colo e me de sua mão

Depois de um tchau sem adeus
Fiquei procurando os pincéis das tuas mãos
Em fantoches sem graça, em luvas vazias
Mas tanta procura era em vão

Pois só o seu beijo pára o tempo
Só nos seus braços eu sinto aconchego
E aqueço o meu coração
E agora eu sei, hoje eu entendo
Tanta saudade, tanto sentimento
Tudo então...era amor!

Olhos verdes

Ponho os meus olhos em você
E não enxergo nada ao redor
O mundo todo desapareceu
Por um instante fiquei a sós

Tantas foram as ruas por que passei
Em cada esquina uma paixão pra me enganar
Você levou contigo parte de mim
E eu procurei sem parar

Por ai, Por ai
Achei que nunca mais fosse te encontrar
Pensei até em te telefonar
Pra te falar

Que sentia saudades
Precisava te ver
Segredos pra contar
Saber o que fazer

Que sentia saudades
De amor verdadeiro
Dos seus olhos verdes
Em que sou jardineiro

Viajar

Um dia desses eu ainda vou viajar
pra longe daqui, qualquer lugar
do outro lado do mar
Conhecer o mundo afora, passear
Cruzar fronteiras, pelo cais
surfar ondas reais


Descobrir se existe sol que não se põe
becos infinitos, tapetes voadores
Castelos de gelo, índios isolados
Cidades subterrâneas, livres soldados


Mas você vai ter que ir junto
Pra mostrar ao mundo, que aqui também existe
Algo maravilhoso, mesmo que não acredites

E se as vezes me pergunto
Em menos de um segundo, deixo de estar triste
Seu amor é valioso, me sinto sem limites

Sobre os poemas...

Leia um poema
qual fosse seu
porque são

O vôo das letras
repousam num lar
sem direção

Não tente entender
porquê foram escritos
não há explicação

Viva o poema,
no momento em que lê
com toda a emoção

Poemas são linhas
que ordenam palavras
sem ordenação

Os olhos que lêem,
são olhos que criam
sua razão

Todos escritos
na ordem inversa
da imaginação

Primeiro são lidos,
depois reescritos
por suas mãos

Sem controle

Se o coração tivesse controle remoto como a tv
Com certeza estaria sempre com a pilha fraca
E, inconscientemente, apertaríamos os botões com força
Numa tortura - como na ditadura - fazendo o coração confessar o queremos escutar

Também faltariam teclas
A do volume da emoção
A do canal da paixão
A SAP, para traduzir-mos o que sentimos
Mas é nos poemas que vemos a legenda, de quase tudo, que mudo, o coração pensa

Ah! mas se o coração tivesse controle remoto
Então poderíamos desligá-lo quando a programação estivesse ruim
E não estivesse nos acrescentando em nada para o porvir

Mas ele não tem controle
Não respeita comandos
Não aceita mandos e desmandos
E entre filmes de terror, dramas e comédias
Programas de auditório e entrevistas
É que vemos: -Que bom! Talvez no documentário da vida
Devessemos fazer a pipoca e assistir o oscar...

Palavras Sujas

Nunca mais quero ouvir palavras sujas
Que saem de nossas bocas sem querer
Em gritos surdos, vozes mudas
Das já ditas so quero esquecer

Não falemos o que não sai do coração
De nossa raiva só inútil maldizer
Que entre prantos a infeliz razão
Perde-se louca na vertigem de não ter

Meu amor por ti é pura imensidão
Minha boca nunca pôde expressar
Em mil frases e contos de paixão
Quero você, quero estar, quero amar

Das loucuras desses dias a lição
Que nos dias atuais arrasa tudo
Não deixemos que a incompreensão
Faça-nos escravo deste mundo taciturno

Se te digo que te quero
Não é ontem, nem hoje, nem domingo
É pra sempre,
como seu sorriso
doce
lindo...

Ode à espera

Talvez a espera espere a si mesma
E uma esquina qualquer, no canto da mesa
Prevendo o encontro sutil
No próximo passo, primeiro de abril
Quem guarda no bolso o metal
Carrega consigo o mal
E aguarda já sem paciência
A forçada iminência da decadência

Talvez a espera espere a si mesma
O escuro uma lâmpada acesa
O louco sua sanidade
O velho a morte, o novo a idade
O doente a cura pra sua moléstia
O soldado a próxima guerra
A aranha imóvel na sua teia
A vítima perfeita pra sua ceia

Talvez a espera espere a si mesma
Atrás do altar de uma igreja
Orando por graças que não tem graça
Movendo montanhas no meio da praça
Discurso promíscuo
No momento profícuo
Paradas de ônibus lotadas
Expediente de longas jornadas

Talvez a espera não queira esperar mais...

O Duvidoso Óbvio

Joguei sal no mar
Adocei um pé de cana pra tomar
Decifrei todo o dicionário
Corrompi um deputado ordinário

Alucinei o ópio
Humilhei o opróbrio
Assassinei um cadáver
Joguei bombas no Iraque

Entristeci o soturno
Escureci o breu noturno
Mandei o ouvido escutar
Ensinei Bush a matar

Enobreci um minueto
Dividi em 14 partes um soneto
Deixei só a solidão
Dei fé à religião

Rejuvenesci o mancebo
Sincronizei o tempo
Violentei a guerra
Individualizei a sociedade moderna

Soletrei o alfabeto
Explorei o sem teto
Metalizei o cobre
Alienei o povo pobre

Recusei o que é negado
Inebriei o embriagado
Fiz lógica a coerência
Afligi sua ausência

Se achas isso inútil
Hoje em dia tudo é fútil
Destrua o seu ócio
E pense no que é óbvio

Ensine o padre a rezar missa
Pois sua fé mata não cria
Defina os governantes por sua política
E não os versos pela poética

A teia já engoliu a própria aranha
Não somos vítimas nem réus desta façanha
A verdade já enganou a si mesma
Nossos conceitos evoluem ao passo de uma lesma

Cresça e Apareça

Quando era criança ainda, um dia, me disseram:
- Cresça e apareça!
Não entendi
Que vinha a ser crescer?
Me olhar no espelho e não me reconhecer?
Alcançar a descarga do vaso
E não saber se entro nele, ou no ralo
Sofrer com o amor, com a morte
Com a saudade, com a falta de sorte
Que o mal da guerra é ostensivo
Apesar dos soldadinhos de minha infância
serem inofencivos
Aparecer então? é na tv?
Como atores na vida que se crê
O que me resta são as contra-capas dos jornais
As páginas policiais
E eu cresci, mesmo sem querer
E eu apareci, mesmo sem ninguem perceber
E aprendi
Que o que importa mesmo
é ter a invisibilidade de uma criança...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Na verdade

Na verdade, cedo ou tarde
se descobre que os pais
não são assim tão normais
Eles têm os seus segredos
e também muitos defeitos
e refletem no espelho

Na verdade, cedo ou tarde
se entende que a velhice
não é simples caretice
É carregar derrotas
muitas vezes as nossas
e ter só uma leve dor nas costas

Na verdade, cedo ou tarde
aprendemos que um "não!"
sem nenhuma explicação
É um silêncio protetor
antecipação da dor
lição perfeita sobre o amor

Na verdade, nunca é tarde
pra dizer que os amamos
mas que temos tantos planos
E que a vida não tá fácil
se sentir assim tão frágil
carecer de um abraço
e de um colo pra chorar

Na verdade, na verdade
É tarde sim...

Traças

Elas passam mais tempo com os livros
Do que eu em coletivos
E olha que não são poucas
As horas que perpasso
Em ônibus lotados

Sabem exatamente se são de capa dura
ou impressas em offset
Quereria eu esse banquete
De palavras à milanesa
Devorando frases
Discutindo o sabor das crases
O gosto amargo do nexo
e a docura do acento circunflexo

Tavez sejam elas as melhores parceiras
Pra'quele livro de cabeceira
Que ja nem mesmo sei
Em qual página parei
Mas evito perguntar à elas
Pois ja conhecem o final
E o seu senso de humor
É quase sempre vulneral

Mas nem tente afastá-las da leitura
E tentar distraí-las
Com umas bolas brancas - cocaína?
Fracassará na tentativa
Na verdade, na verdade
Não adiantam ameaças
Quem realmente lêem os livros
São elas..as traças!